
Bordando entre dedos de ossos duros, luzidios,
Com fios de sangue, minha vida,
Vi no cerne do novelo fluido seu rosto.
Eu vi.
Tremor tênue, como bico, passarinho,
Ali entendi meu destino amarrado a ti,
Irremediavelmente atrelado,
Como unha na carne,
Como minhas unhas, cornos
Desembainhando nos ossos grossos
O que havia por vir.
Fogo roçou costelas,
Tocou o grelo e pêlos:
Era tua mão de brasas.
À posse, impossível resistência.
Rasgaste-me a carne,
A consciência e a visão,
O gozo tomando tudo que é poro
Os fios de sangue plangendo lerdos.
Roubaste-me o centro,
Mas tornei a roubar-me de ti
Para assim amar-te em verdade.
Garganta, melaço na goela,
Queres a birra,
Preferes-me escrava
A amar-te plena.
Ao notar-me senhora dos fios de plasma ebúrneo,
A tessitura a te enredar suavemente,
Buscaste a brusca ruptura
Do meu permanente tear, a quase morte.
Nem por isso deixei de te amar,
Mas me fiz forte
Para não sucumbir ao canto de Pan,
A flauta a turvar-me a calma,
Deixando-me morna,
Rompendo-me o hímen, o sangue, os fios,
Jogando-me para a masmorra.
Reajo. Sou frágil,
Porém não sucumbirei,
Concubina do diabo,
Possuída por tua vara
Em riste, o jato quente a me cortar entranhas,
O grito ácido...
Gozar eternamente
Pudesse eu.
Tens-me, meu deus.
Sou tua, ateu
A me quebrar a pouca decência.
Cascata de lava, candeia,
Serena mente espreita
Tua cara em riste,
Tua mão em meu ventre
Morto no regaço do delírio
Desfeito o laço do cabaço que já não havia.
Adormeço doce no vapor, bafo da noite
Que recolhe os fios que escorrem por minhas coxas
Para fiar mais outras
Histórias entreabertas.
10/12/01
Com fios de sangue, minha vida,
Vi no cerne do novelo fluido seu rosto.
Eu vi.
Tremor tênue, como bico, passarinho,
Ali entendi meu destino amarrado a ti,
Irremediavelmente atrelado,
Como unha na carne,
Como minhas unhas, cornos
Desembainhando nos ossos grossos
O que havia por vir.
Fogo roçou costelas,
Tocou o grelo e pêlos:
Era tua mão de brasas.
À posse, impossível resistência.
Rasgaste-me a carne,
A consciência e a visão,
O gozo tomando tudo que é poro
Os fios de sangue plangendo lerdos.
Roubaste-me o centro,
Mas tornei a roubar-me de ti
Para assim amar-te em verdade.
Garganta, melaço na goela,
Queres a birra,
Preferes-me escrava
A amar-te plena.
Ao notar-me senhora dos fios de plasma ebúrneo,
A tessitura a te enredar suavemente,
Buscaste a brusca ruptura
Do meu permanente tear, a quase morte.
Nem por isso deixei de te amar,
Mas me fiz forte
Para não sucumbir ao canto de Pan,
A flauta a turvar-me a calma,
Deixando-me morna,
Rompendo-me o hímen, o sangue, os fios,
Jogando-me para a masmorra.
Reajo. Sou frágil,
Porém não sucumbirei,
Concubina do diabo,
Possuída por tua vara
Em riste, o jato quente a me cortar entranhas,
O grito ácido...
Gozar eternamente
Pudesse eu.
Tens-me, meu deus.
Sou tua, ateu
A me quebrar a pouca decência.
Cascata de lava, candeia,
Serena mente espreita
Tua cara em riste,
Tua mão em meu ventre
Morto no regaço do delírio
Desfeito o laço do cabaço que já não havia.
Adormeço doce no vapor, bafo da noite
Que recolhe os fios que escorrem por minhas coxas
Para fiar mais outras
Histórias entreabertas.
10/12/01

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