
Dediquei-te tanto de meu pensamento e peito apertado,
Um amor que não pediu nada para acontecer
Nem pediria nada para se manter vivo,
Só dependia do seu sorriso sincero para mim
E do cuidado de ser lembrado como momento pleno.
Eu não escolhi querer você,
Quando te vi perdi o rumo e o olhar baixou turvo,
Tímido, absorto em suas formas impressas no córtex do meu coração,
A memória de você, estarrecedor em mim, reverberando
Sua presença diante de minha cabeça baixa, sem coragem de encará-lo mais uma vez.
Te quis ali, fulminantemente. Não tinha escolha a não ser seguir o destino que me impelia a ser tua.
E um desejo sem mácula vindo de ti seria o doce alento de um amor distante e impossível,
Dessa forma tornado possível, porque atrelado à atenção que se dedica aos seres sagrados
Que prescindem da matéria e são absolutos e somente essência,
Éter e sentir,
Que amamos sem precisar tocar.
Era apenas não aviltar algo tão simples e preciso,
Era ter a coragem de deixar ser o que não poderia deixar de ser,
Deixá-lo pairar acima do juízo mesquinho dos homens.
Mas você, corpo que amei, não tinha em si o sopro da delicadeza,
Criado entre bichos e machos ufanos, você, o mais belo entre todos,
Tão mais belo que qualquer um deles,
Destoando e doendo sua beleza-doença
Pela qual tantas outras outrora se perderam.
Então chegara minha vez.
Deixou as serpentes insidiosas da inveja cravarem dentes venenosos em meu pescoço exposto
Ao seu beijo, ao seu toque,
Permitiu a passagem das bestas que sem sua conivência não teriam chegado até mim.
Tomou-me sua na entrega extrema para me jogar na rua do desprezo,
Olhando insidiosamente com seus belos olhos amarelos o meu desespero mudo, tateando cegada pelas chamas dos sorrisos cínicos
Em busca de um caminho, um caminho, qualquer caminho
Que me levasse para fora do labirinto
Em que eu mesma me coloquei.
Eu não te amei, eu não te amei, eu não te amei,
Mas como me doeu não poder te amar!
Eu busquei em você tudo o que poderia fazê-lo melhor e pedi
“Venha comigo para o prado fresco onde não há tempo de termos medo,
Onde não queremos o degredo e a prisão de quem amamos”.
Seu ouvido, conectado aos silvos agudos das serpentes do “eu sou tudo”,
Que trinavam o vaticínio da vaidade e do escárnio do qual você não percebeu poder desistir,
Fizeram pouco do que eu disse ali, moucos.
Sangrei o que pude e o que devia e me despedi da vida daquele lugar, tanto paraíso quanto martírio,
Despedaçando a ilusão de ter encontrado mais do que beleza, mas algo de genuíno.
Eu fui sua num gozo morto, na pressão de suas mãos brutas me pegando o quanto queriam
E não gozei e gozei o quanto quis e senti, eu fui sua.
Você morreu em mim pequenas mortes tantas vezes, de um som límpido e um pulsar sensível,
Eu te deixei lá longe para mandar pelo pombo a mensagem da execração que você merecia.
Você não teve coragem de dizer nada, você, covarde, virou a cara com medo,
Pois tudo o que queria era o meu amor supremo.
Você não suportou minha consciência tardia, entendendo que me perdera cedo e definitivamente.
Você escondeu seu urro para não deixar que vissem sua vergonha cretina
E eu pude sorrir livre de você, ainda dolorida no peito amassado e queimada por seu toque firme de hidra.
Fui ofendida, banida de volta à minha casa e me redescobri viva.
Você ficou parvo e pensou de novo em meu regaço, nós dois acesos,
Suando inteiros, você me quis novamente sabendo ser impossível,
Você está condenado a viver comigo sem a esperança de estar comigo,
Sozinho em sua arrogância de menino soterrada por uma dor que você sequer entende,
Mas que brilha e implode seu esterno cada vez que sopra o vento que carrega meu cheiro.
Um amor que não pediu nada para acontecer
Nem pediria nada para se manter vivo,
Só dependia do seu sorriso sincero para mim
E do cuidado de ser lembrado como momento pleno.
Eu não escolhi querer você,
Quando te vi perdi o rumo e o olhar baixou turvo,
Tímido, absorto em suas formas impressas no córtex do meu coração,
A memória de você, estarrecedor em mim, reverberando
Sua presença diante de minha cabeça baixa, sem coragem de encará-lo mais uma vez.
Te quis ali, fulminantemente. Não tinha escolha a não ser seguir o destino que me impelia a ser tua.
E um desejo sem mácula vindo de ti seria o doce alento de um amor distante e impossível,
Dessa forma tornado possível, porque atrelado à atenção que se dedica aos seres sagrados
Que prescindem da matéria e são absolutos e somente essência,
Éter e sentir,
Que amamos sem precisar tocar.
Era apenas não aviltar algo tão simples e preciso,
Era ter a coragem de deixar ser o que não poderia deixar de ser,
Deixá-lo pairar acima do juízo mesquinho dos homens.
Mas você, corpo que amei, não tinha em si o sopro da delicadeza,
Criado entre bichos e machos ufanos, você, o mais belo entre todos,
Tão mais belo que qualquer um deles,
Destoando e doendo sua beleza-doença
Pela qual tantas outras outrora se perderam.
Então chegara minha vez.
Deixou as serpentes insidiosas da inveja cravarem dentes venenosos em meu pescoço exposto
Ao seu beijo, ao seu toque,
Permitiu a passagem das bestas que sem sua conivência não teriam chegado até mim.
Tomou-me sua na entrega extrema para me jogar na rua do desprezo,
Olhando insidiosamente com seus belos olhos amarelos o meu desespero mudo, tateando cegada pelas chamas dos sorrisos cínicos
Em busca de um caminho, um caminho, qualquer caminho
Que me levasse para fora do labirinto
Em que eu mesma me coloquei.
Eu não te amei, eu não te amei, eu não te amei,
Mas como me doeu não poder te amar!
Eu busquei em você tudo o que poderia fazê-lo melhor e pedi
“Venha comigo para o prado fresco onde não há tempo de termos medo,
Onde não queremos o degredo e a prisão de quem amamos”.
Seu ouvido, conectado aos silvos agudos das serpentes do “eu sou tudo”,
Que trinavam o vaticínio da vaidade e do escárnio do qual você não percebeu poder desistir,
Fizeram pouco do que eu disse ali, moucos.
Sangrei o que pude e o que devia e me despedi da vida daquele lugar, tanto paraíso quanto martírio,
Despedaçando a ilusão de ter encontrado mais do que beleza, mas algo de genuíno.
Eu fui sua num gozo morto, na pressão de suas mãos brutas me pegando o quanto queriam
E não gozei e gozei o quanto quis e senti, eu fui sua.
Você morreu em mim pequenas mortes tantas vezes, de um som límpido e um pulsar sensível,
Eu te deixei lá longe para mandar pelo pombo a mensagem da execração que você merecia.
Você não teve coragem de dizer nada, você, covarde, virou a cara com medo,
Pois tudo o que queria era o meu amor supremo.
Você não suportou minha consciência tardia, entendendo que me perdera cedo e definitivamente.
Você escondeu seu urro para não deixar que vissem sua vergonha cretina
E eu pude sorrir livre de você, ainda dolorida no peito amassado e queimada por seu toque firme de hidra.
Fui ofendida, banida de volta à minha casa e me redescobri viva.
Você ficou parvo e pensou de novo em meu regaço, nós dois acesos,
Suando inteiros, você me quis novamente sabendo ser impossível,
Você está condenado a viver comigo sem a esperança de estar comigo,
Sozinho em sua arrogância de menino soterrada por uma dor que você sequer entende,
Mas que brilha e implode seu esterno cada vez que sopra o vento que carrega meu cheiro.

Um comentário:
Era ter a coragem de deixar ser o que não poderia deixar de ser... muito bom!
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