
A peste nos olhos divinos rasga corpos evadidos de si, corpos sombrios
E sem alma
Vagando por escadas de ópio, degraus em escalada íngreme para baixo,
Caminho que não passa, não vai, liga o nada a nada e adormece sentidos.
O morticínio está no centro da praça, saltando do peito da massa inerte de seres ocos
Pensando pouco.
A mortandade como de peixes dinamitados em água barrenta, ninguém a gritar socorro,
Olhos e ouvidos moucos, gente que renegou sua humanidade, atirada a esmo numa vala do caminho,
Para deglutir e cuspir desgraça atrás de desgraça atrás de desgraça.
Quem se importa...
Divididos em tribos distinguidas apenas por suas penas e costumes externos,
E adereços e brilhos na pele e escuros pensamentos, ignóbeis desejos e ralos vaticínios,
O futuro entregue a um Deus que se perdeu dos homens muito antes de serem nascidos,
Um Deus brutal e vingativo que deu as costas ao seu domínio ímpio, espezinho.
Não há a quem gritar, não há quem grite.
Entre tantos com vozes límpidas e poderosas, ninguém quer dissonar do restolho todo
Que repete mentalmente a ordem da vez: não seja e fique calado,
Apenas um boneco articulado e reconhecido pelo mundo dos mortos-vivos.
Que eu seja a peste nos olhos dos moribundos a deflagrar a ruptura da musculatura, carne inerte e inútil,
Que eu seja uma dor maior, outra dor, que faça o clarão da excruciante consciência.
No pacto com os céus ebúrneos eu vi passado e futuro explodirem para serem o que quisermos,
A dúvida a queimar os olhos porque não há caminho pronto para seguir, é preciso reinventar a História.
Se não há outro alguém para querer e assumir o cataclisma crucial de um querer outro,
Que eu seja o vivo-morto que renegou todos os tolos, banhado em luz e petróleo pegajoso e fogo,
Para massacrar aos poucos os habitantes mornos das prisões das convenções cretinas.
Que eu destile a minha sina venenosa nas boquiabertas bocas estarrecidas,
Fazendo um pacto com esse Deus mesquinho e rancoroso a quem recorrem todos os dias em seu próprio torvelinho fútil
Os pequenos de alma, os poucos de vida, os que querem apenas o arroto de satisfação tola com a pança cheia de presunção.
Que eu seja o último remanescente dos que ousaram querer e pagaram o preço incomensurável com a própria certeza de vida
Para viver realmente.
Eu despi a mortalha, músculos em brasa de sangue a gritar obscenidades entre as caras lavadas,
Eu vou ganir pelas salas morosas da não-realização.
Eu vou fender as garras afiadas o meu próprio destino incerto e desprecavido
Para morder frutos tidos por venenosos e estrebuchar o querosene que me mantém cativo ao deleite do frugal.
Eu vou viver de sal, esturricar por dentro e por fora, a pele crestada pela sede eterna do novo.
Eu não quero pouco e não faço por menos,
Dormindo no sereno para refrescar a secura de um corpo transbordando dentro
A alma inaplacável, iridescente, espargindo urros inclementes
Para fazer ouvir ouvidos surdos,
Para repercutir em todo o mundo morto que pode ser renascido
Se um querer fizer sentido e ressoar como hino.
Vou espargir por aí a fúria inesgotável do meu querer hediondo e sagrado
Para acordar a todos, que insistem em ser calados pelo marasmo,
Vou me entregar em espasmos a este trabalho hercúleo e insano,
Derreter os enganos para gerar a incerteza que é viver com todas as forças.
Hei de me fartar da taça da glória conquistada ou morrerei tentando.
16/1/08
E sem alma
Vagando por escadas de ópio, degraus em escalada íngreme para baixo,
Caminho que não passa, não vai, liga o nada a nada e adormece sentidos.
O morticínio está no centro da praça, saltando do peito da massa inerte de seres ocos
Pensando pouco.
A mortandade como de peixes dinamitados em água barrenta, ninguém a gritar socorro,
Olhos e ouvidos moucos, gente que renegou sua humanidade, atirada a esmo numa vala do caminho,
Para deglutir e cuspir desgraça atrás de desgraça atrás de desgraça.
Quem se importa...
Divididos em tribos distinguidas apenas por suas penas e costumes externos,
E adereços e brilhos na pele e escuros pensamentos, ignóbeis desejos e ralos vaticínios,
O futuro entregue a um Deus que se perdeu dos homens muito antes de serem nascidos,
Um Deus brutal e vingativo que deu as costas ao seu domínio ímpio, espezinho.
Não há a quem gritar, não há quem grite.
Entre tantos com vozes límpidas e poderosas, ninguém quer dissonar do restolho todo
Que repete mentalmente a ordem da vez: não seja e fique calado,
Apenas um boneco articulado e reconhecido pelo mundo dos mortos-vivos.
Que eu seja a peste nos olhos dos moribundos a deflagrar a ruptura da musculatura, carne inerte e inútil,
Que eu seja uma dor maior, outra dor, que faça o clarão da excruciante consciência.
No pacto com os céus ebúrneos eu vi passado e futuro explodirem para serem o que quisermos,
A dúvida a queimar os olhos porque não há caminho pronto para seguir, é preciso reinventar a História.
Se não há outro alguém para querer e assumir o cataclisma crucial de um querer outro,
Que eu seja o vivo-morto que renegou todos os tolos, banhado em luz e petróleo pegajoso e fogo,
Para massacrar aos poucos os habitantes mornos das prisões das convenções cretinas.
Que eu destile a minha sina venenosa nas boquiabertas bocas estarrecidas,
Fazendo um pacto com esse Deus mesquinho e rancoroso a quem recorrem todos os dias em seu próprio torvelinho fútil
Os pequenos de alma, os poucos de vida, os que querem apenas o arroto de satisfação tola com a pança cheia de presunção.
Que eu seja o último remanescente dos que ousaram querer e pagaram o preço incomensurável com a própria certeza de vida
Para viver realmente.
Eu despi a mortalha, músculos em brasa de sangue a gritar obscenidades entre as caras lavadas,
Eu vou ganir pelas salas morosas da não-realização.
Eu vou fender as garras afiadas o meu próprio destino incerto e desprecavido
Para morder frutos tidos por venenosos e estrebuchar o querosene que me mantém cativo ao deleite do frugal.
Eu vou viver de sal, esturricar por dentro e por fora, a pele crestada pela sede eterna do novo.
Eu não quero pouco e não faço por menos,
Dormindo no sereno para refrescar a secura de um corpo transbordando dentro
A alma inaplacável, iridescente, espargindo urros inclementes
Para fazer ouvir ouvidos surdos,
Para repercutir em todo o mundo morto que pode ser renascido
Se um querer fizer sentido e ressoar como hino.
Vou espargir por aí a fúria inesgotável do meu querer hediondo e sagrado
Para acordar a todos, que insistem em ser calados pelo marasmo,
Vou me entregar em espasmos a este trabalho hercúleo e insano,
Derreter os enganos para gerar a incerteza que é viver com todas as forças.
Hei de me fartar da taça da glória conquistada ou morrerei tentando.
16/1/08

3 comentários:
LÚ, OQUE EU POSSO DIZER... SOU SUA FÃ JA FAZ TEMPO E ME EMOCIONEI MUITO COM SEUS ESCRITOD INTIMOS E NUMA PARTE DELAS ME INDENTIFIQUEI. E ESPERO Q VENHA MUITO MAIS DESSES E QUERO IR NA NOITE DE AUTOGRAFOS.
BJSS
ESQUECI DE ASSINAR.
ANNA PAULA BARRETO
Amo Você!!!!
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