domingo, 12 de junho de 2011

MUITO MAIS MEU


Silêncios eloquentes
Falam mais que incontáveis versos,
Sei bem.
Na ausência de respostas
Reside a resposta mais clara,
Sem a necessidade de impor questão.
Eu me arrisquei, entrei no jogo de cara lavada,
De pele exposta,
E em nenhum momento joguei.
Vivi, senti.
Você, esfinge pétrea na mesa posta,
Soslaio de olhos e meia voz,
Que sei eu de você?
Mas não importa,
Se o que busco nesta vida
É a própria vida,
Não há finalidades prévias nos encontros,
Há, antes, encontros
E o que quer que neles brote ou morra,
Que pequenas mortes só fazem fortalecer
Sem travo de caqui verde,
Sem criar paredes a quem sabe viver e morrer.
Se não foi com você como não foi com tantos outros,
Pode ser que meu jogo roto,
Ou mais, minha falta de jogo
De cintura, de malícia,
Sejam apenas a evidência
De que o que busco é um novo estado de coisas
Ou sou mesmo boba, e só.
E até que eu encontre quem me corresponda,
Vou assimilando do outro,
Espelho recortado,
Novos lados deste coração de infinitos lados, multifacetado
Que guardo em mim,
Caixa de tesouro delicada
Que, à base de tanta porrada,
Em diamante fundiu-se.
Se não trinco, se não quebro,
Sigo transparente,
Sem mácula que polua o que sinto,
Sempre tentando amar,
Mesmo quando sem correspondência.
Digo-te, querido:
Sou muita carência,
Sou pouco juízo,
Mas deixo-te livre para que você seja o que você é,
Sem mágoa por isso.
Se o tênue fio que fui urdindo a partir da palma de sua mão
Rompeu-se,
Que posso querer eu?
As coisas têm seu tempo de acontecer,
Seu tempo de durar,
E não sigo gestando filho morto
Para eu mesma não apodrecer.
Que a morte de um sentimento incipiente
Seja antes uma outra vida,
Onde eu e você
(mais verdade, menos planos de domínio)
Possamos mesmo ser amigos
Porque, afinal, você soube me compreender.


9-6-11











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