A poesia nunca está onde se teima em precisa-la,
Ela se esgueira, sorrateira,
Pelos cantos da sala do não estar, do não ser,
Negando tudo com que se intenta defini-la,
Perversa, subversiva,
Na madrugada insone de ansiedade
Do que não se sabe,
Mas se insiste em tentar conter num jarro pequeno demais.
A poesia não está nas palavras escritas,
Não está na tinta da esferográfica,
Não está em graças pálidas de ideias inexatas,
Na confusão cotidiana da razão insana
De quem se pretende normal e juiz do outro.
Eu, que sei tão pouco,
Não posso pretender poesia
Senão onde ela não se fia
E no que não se pode confiar de todo.
É no descompasso do erro,
No tropeço da falta,
No mundo que, por mais que eu escreva, se cala,
E no que irrompe, venenoso,
Pelos espaços vazados entre as palavras,
Que a encontro
Rindo uma risada ferina,
Tirando com a minha cara.
6-9-11
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
:) gostei. bom visitar seus escritos.
Postar um comentário