
O pasto relvado sopra a pele de meus tornozelos,
Manhã mal nascida de um céu estriado e sem nuvens,
Então aqui em mim.
Além dos campos de bicho e campos fecundados de brotos e plantas de saciar a fome dos
homens,
O córrego cristalino chia seu fluxo em uníssono com gafanhotos, bois, crianças pequenas
despertando, besouros,
O mundo cabendo na palma da mão,
Sem urgência, todo balbucio.
Nunca estive lá em matéria,
Não trilhei com minhas pernas as sendas através da encosta para me refugiar no vale túrgido de
vida,
Nem precisaria.
Dessa paz primitiva e simples,
Que prescinde do sem-número das criações de artifício
Do mundo contagiros, ampulheta
_Tudo agora, tudo ontem, tudo já,
Desespero de gastar o tempo sem a percepção do tempo
Para no fim do tempo descobrir-se saudoso do que não se viu passar_,
Nasci para a consciência desmembrada
Sem deixar-me desmembrar.
Quando da angústia de nunca estar onde se está
Evoco o lar primevo,
Eu o sinto, eu o vejo,
Saboreio seus cheiros de mato úmido, terra prenhe, ventos, chuva
E um céu sem muros,
A natureza plena a gritar no escuro que precede o primeiro raio de sol
Um clamor mudo a ouvidos fúteis,
Um clamor de grutas e úteros,
De tempos ancestrais
Que sempre estiveram e estarão
E estão
Em mim.
18-1-2011

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