sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Onze anos para trás


Estou mudando a uma velocidade que meu corpo não comporta,
A cara quase torta num esgar de espasmo violento
De congestão.
No fio cortante do meio do caminho
Não sei que fim terá este período,
A cabeça gira, que será de mim?
Laboratório de testes, os onze anos vividos antes
Parecem então tão distantes
Que já não sei precisar
Se fui eu a vivê-los
Ou roubei o enredo de algum romance ruim.
Mas estou aqui, ainda que
Esmerilhando os nervos
Com o medo do novo,
Do contato com o outro,
Da morte de sonhos tontos
Para ganhar em vida o que em conceitos, graças, perdi.
Madrugada alta, me doem as costas,
O choro represado,
Um pássaro dá um pio sequencial e agudo
Que me desperta para a realidade material da vida.
Até minha poesia é outra,
Até minha rima é nova,
E só posso rimar quando deixo
O antes assimilado escoar pelo ralo, se esvair,
Porque agora já não sei mais,
Agora estou e não estou aqui,
É tudo outro, novo, dadivoso em mim.

19/08/09

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