segunda-feira, 7 de junho de 2010

EFEMÉRIDE


Então travou garganta

No espasmo mudo do espanto, tanto.

Meu tempo passando

E eu aqui.

Pensei que morri,

Mas não desta vez.

Não tenho mais ouro debruando sonhos tolos,

Não há nada mais que eu queira além de mim.

Nada há de mais importante que a certeza de que sou quem sou e de que posso arcar com [isto,

Comigo.

Os amigos, amargos uns, outros agora.

Por que me importar com convenções, se quero vida?

Seja rasgo de luz cada dia,

Desperta em mim a energia de mudar e ser nova sempre,

Acumulando com gosto os anos que me forem permitidos viver,

Lancinando algo aberto que não a batida chaga no peito,

Que seja o centro do mundo o meu coração extremo.

Arranco as garras do amargor e do veneno

Que roubam o viço das pequenas descobertas diárias.

Só morrerei quando esquecer de me surpreender com as bobagens sublimes que não se [pode divisar,

Percebidas na sutileza de sentidos outros,

Um estalo de corpo,

Fuligem ao vento e eu canto, amuleto.

Que eu seja sempre instrumento

Do algo maior que alguns chamam Deus,

Mas não tem nome de fato pela impossibilidade de classificação restritiva na língua e no [entendimento parco.

Podendo ser o que quiser,

Deixando canais expostos para receber o toque astral,

Expurgar um outro que fui, não sou mais,

Sinais do tempo que não se mede em ponteiros

Além do nascer e por, nascer e por

Do sol, dos homens, da vida.

Sou ferida súlfur que arde para explodir ferinas fagulhas ativas,

Exorto à ação:

Seja fulgural

Ante à predileção pela frugalidade e o banal.

Há violetas em álcool chamuscando um céu algoz

De boçais cultivadores do óbvio, do jornal e da vitrine.

Não caiba em si

O dia e você,

Seja transversal do sol,

Engastar cometas em capa de cristal,

Veludo azul que embrulha o mundo

Que quero real para mais, muito mais

Que permitem os que não se permitem

Ser alguém de fato.

Não pago barato as lentes épicas

Que embuti no lugar das córneas do lugar comum,

Mas não peço amém a ninguém,

A nenhum porco roliço do deixa-disso.

Eu quero mais,

Areia movediça não me para,

Não me impede,

Eu feroz,

Cuja cantilena, voz da hiena escarnecendo o ínfimo,

Ecoa em tímpanos beduínos ávidos por destino tal qual,

Até que sejamos a individual tribo

Coletiva de entes sós não solitários.

Nenhum comentário: